“– Como você consegue?
– Consigo o que?
– Ser forte o tempo todo.
– É simples.
– E…
– Fingindo.
– Mas porque fingir?
– Porque demonstrar?
– Porque quem sabe alguém te ajude.
– “Quem sabe” é muito relativo.
– Você tem que tentar.
– Já tentei. E tentei de novo várias vezes depois.
– Tenta de novo.
– Cansa.
– Você não pode desistir.
– Não desisti. Apenas concordei com o fato de que insistir no erro é burrice.
– Você sempre me pareceu ser tão forte. Parecia-me até que nada te abatia.
– Pra você ver como aprendi bem.
– Aprendeu o que?
– Oras do que estamos falando mesmo? A cantar que não foi.
– Refere-se a fingir?
– Óbvio.
– Bom pelo menos agora essa tua ironia tem explicação.
– E qual seria?
– Você a usa para disfarçar a dor.